Jornal São Paulo Zona Sul

Coleta seletiva facilita vida do paulistano

Todas as semanas, o caminhão da coleta seletiva passa duas vezes nos bairros de Vila Mariana, Saúde, Jabaquara.
O serviço, prestado gratuitamente, facilita muito ao cidadão cumprir com sua tarefa de separar os materiais recicláveis dos resíduos comuns. Além da coleta diferenciada, que é um serviço da Prefeitura Municipal prestado pela concessionária Ecourbis Ambiental nas zonas sul e leste da cidade, há ainda Pontos de Entrega Voluntária – os PEVs – e Ecopontos onde se podem levar os itens recicláveis.
Com essa coleta diferenciada, há ganhos ambientais para a cidade – e o planeta. Além de o material voltar ao ciclo produtivo em vez de ser necessária a extração de novas matérias primas da natureza e uso de energia para produzi-lo, a reciclagem impede que um volume muito grande de resíduos seja levado aos aterros sanitários – que têm vida útil limitada.
“Na minha casa, percebia que a maioria do que ia para o lixo eram embalagens. Eram latinhas de molhos de tomate, caixinhas longa vida de leite e sucos, saquinhos de feijão e arroz, caixinhas de papel cartão que embalam o café a vácuo”, relembra Andrea Posso, auxiliar de escritório e moradora da Vila Celeste.
Depois que começou a separar o material para a coleta seletiva, ela percebeu que era possível fazer o mesmo no escritório onde trabalha e criou um novo hábito entre os colegas. “Eles não só passaram a usar menos papel como também deixaram de usar copos descartáveis. Hoje, cada um de nós tem suas próprias xícaras e canecas”, conta.
A separação de materiais recicláveis, para ela, foi apenas um ponto de partida, portanto. “Eu adoro artesanato, e comecei a perceber que muito daquele material que eu jogava no lixo poderia se transformar em utilidades domésticas e até objetos de decoração”, diz ela, que passou a fazer luminárias com garrafas de vidro e porta lápis para a filha, em idade escolar, usando latinhas de molho que recobria com adesivos, sobras de tecido e outros materiais que a criatividade permitia.
Como participar
“O primeiro passo é sempre o mais difícil. Depois a gente passa a se divertir”, garante Andrea.
É verdade. Um dos primeiros aprendizados da munícipe foi de que era desnecessário separar os itens por tipo. “Eu achava que deveria haver um saco para plásticos, outro para papel e assim por diante”, relembra. “Mas os próprios coletores me explicaram que é desnecessário”.
Realmente, não é necessário fazer essa triagem, que acontecerá posteriormente nas centrais mecanizadas ou nas cooperativas de catadores conveniadas à Prefeitura.
O munícipe deve apenas untar todos os artigos feitos de material reciclável – papel, plástico, vidro e metais – limpos.
Eles devem ser bem acondicionados e disponibilizados até duas horas antes do horário previsto para a coleta. Para saber quando a coleta seletiva passa em sua rua, acesse: http://www3.prefeitura.sp.gov.br/limpeza_urbana/FormsPublic/LimpezaRua.aspx. O site também informa as datas e horários da coleta regular, ou seja, do lixo comum.
Dicas importantes
Depois que começa a separar o material em casa, o munícipe encontra várias vantagens. Além de contribuir para a limpeza urbana e ajudar na preservação da natureza, passa a economizar mais e ainda consegue disponibilizar os resíduos domésticos com mais rapidez para o serviço de coleta – já que a concessionária passa três vezes por semana para coleta regular e mais uma ou duas para a coleta seletiva.
Uma das dicas e usar cosméticos, como shampoos, e produtos de limpeza até o fim. Quando a embalagem estiver quase vazia, misture o produto com um pouco de água – de forma que ainda aproveita este “resto” e já deixa a embalagem limpa, ideal para o processo de reciclagem.
As latinhas também devem ser enxaguadas e amassadas, para facilitar o armazenamento. Já os papeis devem ser empilhados e caixas acartonadas também abertas para evitar o grande volume. Mas atenção: papel engordurado e sujo, como caixas de pizza, não devem ser encaminhados à reciclagem.
Por outro lado, evite encaixar um item dentro do outro, para facilitar o processo de triagem. E nunca mande pela coleta seletiva outros itens que não sejam papel, plástico, vidro e metais.
Números
Os números não são precisos, mas estima-se que um terço do total que vai para aterros sanitários poderia ser reciclado. Ou seja, boa parte do que as pessoas jogam no lixo comum poderia ser destinado à coleta seletiva.
Vale destacar que esse tipo de serviço vai trazer não apenas benefícios ambientais, mas também sociais e econômicos, já que a reciclagem é fonte de renda para milhares de catadores e outros profissionais envolvidos nessa atividade.
Só na cidade de São Paulo, são geradas, em média, 18 mil toneladas de lixo diariamente (lixo residencial, de saúde, restos de feiras, podas de árvores, entulho, etc.). Só de resíduos domiciliares são coletadas quase 10 mil toneladas por dia.
Diariamente é percorrida uma área de mais de 1.500 km² e estima-se que mais de 11 milhões de pessoas são beneficiadas pela coleta. Cerca de 3,2 mil pessoas trabalham no recolhimento dos resíduos e são utilizados mais de 500 veículos (caminhões compactadores e outros específico para o recolhimento dos resíduos de serviços de saúde).
Iniciativa
A Política Nacional de Resíduos Sólidos é instituída por uma Lei Federal e estabelece que a responsabilidade pelos resíduos é compartilhada. Ou seja, todos têm que contribuir para equacionar a situação: fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos. Por fim, essa lista inclui o cidadão, que tem que se responsabilizar pelos resíduos que gera.
“Assim como a gente já está acostumado a colocar o lixo comum no dia e horário de coleta, separar os recicláveis para a seletiva é só uma questão de hábito. Aqui em casa, até minha filha de oito anos já sabe quando algo vai para a reciclagem ou para o lixo comum”, finaliza a moradora Andrea.

Comentar

WhatsApp chat Receba as edições por WhatsApp!