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Cultura

Cinemateca Brasileira continua com futuro indefinido

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No início de dezembro, o o secretário nacional do Audiovisual, Bruno Graça Melo Côrtes anunciou à Agência Brasil de Notícias que a Cinemateca Brasileira passaria a ter a gestão de uma organização social durante os primeiros três meses de 2021. E informou que o nome da entidade seria anunciado “nas próximas semanas”.

Mas, o ano está terminando e até agora nenhum anúncio foi feito. No dia 16 de dezembro, o movimento SOS Cinemateca entregou uma carta, com mais de 100 assinaturas pedindo uma solução para o caso. Vale destacar, entretanto, que o secretário de Cultura, Mario Frias, teve um princípio de enfarto recente e que houve troca no Ministério do Turismo, ao qual a secretaria de Audiovisual está ligada.

Ao mesmo tempo, o Tribunal Regional Federal da 3a. Região deu liminar favorável para que a Associação dos Moradores da Vila Mariana (AVM) ingresse na Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a União e em favor da Cinemateca Brasileira (CB). Graças a uma petição que detalhou os riscos de explosão dos depósitos dos filmes de nitrato em área residencial, os vizinhos conseguiram ser classificados como assistentes ativos no processo. A associação, que representa mais de 10 coletivos do bairro, recolheu várias provas que foram apresentadas ao Desembargador Federal, Marcelo Saraiva, que entendeu que “a falta da adequada manutenção do acervo da CB pode trazer sérios riscos – de incêndio – para os moradores e frequentadores da região da Vila Mariana, assim como ao meio ambiente em seu entorno”.

Promessas

No início do mês, a Secretaria de Audiovisual havia prometido que, sob nova gestão, seriam recontratados os cerca de 40 funcionários especializados em preservação, documentação, pesquisa e tecnologia da informação, que trabalhavam para a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), última entidade a administrar a Cinemateca.

Em agosto, a União retomou as chaves do espaço e promoveu contratos para garantir a manutenção dos serviços de limpeza, climatização do acervo, segurança e controle de pragas. Foi quitada, em parcela única, a dívida de energia elétrica, importante para a preservação dos rolos de filmes mais antigos. Essa parte do acervo contém nitrato de celulose, passível de combustão espontânea se não é conservado em câmara com temperatura e umidade específicas.

“Houve, ao longo dos últimos anos, alguns imbróglios, dificuldades com as gestões passadas que resultaram na necessidade de a União, literalmente, retomar as chaves, retomar as rédeas e botar [a Cinemateca] para funcionar novamente”, declarou.
Segundo Côrtes, o chamamento público para a contratação da nova entidade a gerir a Cinemateca em definitivo sairia “no início do próximo ano [2021]”.

A Cinemateca, mais importante acervo da América do Sul, tem cerca de 245 mil rolos de filmes referentes a 30 mil títulos. Obras de ficção, documentários, cinejornais, filmes publicitários e registros familiares, nacionais e estrangeiros produzidos desde 1910 compõem o acervo.

A Cinemateca Brasileira conta com um acervo de 245 mil rolos de filmes e duas salas de projeção. Fica no Largo Senador Raul Cardoso, 200, na Vila Mariana. Ocupa um prédio histórico, que já foi um matadouro municipal, e é tombado como patrimônio.

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