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Cultura

Casas históricas da região ficam fora da Virada

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Programação oficial previa visitas temáticas no Sítio da Ressaca e na Casa Modernista, mas não havia em monitores suficientes nos horários previstos

Por: Tatiana Scoleso

A Casa Modernista, ícone do ingresso do modernismo no Brasil, idealizada e construída pelo arquiteto modernista alemão Gregori Warchavchik, propôs uma programação especial na virada cultural de 2011, nos dias 16 e 17 de abril.

Entretanto, vários problemas ocorreram e deixaram evidente uma má organização do evento.

Foram propostas visitas que durariam cerca de uma hora e tinham horário marcado, o primeiro às 9h e o último às 15h. O foco era incentivar uma discussão cultural entre os participantes sobre o modernismo e sua influência tanto na arquitetura, quanto no paisagismo.

Os problemas começaram ainda na divulgação. Nada foi comentado ou indicado na programação oficial da virada cultural, somente o site do Museu da Cidade de São Paulo continha informações, além de menções no site da secretaria da Cultura. No entanto, as visitas foram informadas à imprensa e o jornal São Paulo Zona Sul também divulgou.

A virada cultural está em sua sétima edição e atraiu,  em 2011, sete milhões de pessoas. Mas, o destaque maior fica para os shows promovidos na região central da cidade e eventos em unidades do Sesc e espaços culturais tradicionais, gerando esvaziamento em outros endereços que, de qualquer forma, estão no roteiro oficial.

Foi o que aconteceu com a Casa Modernista. Durante os dois dias, ninguém apareceu para participar do evento.  O Sítio da Ressaca, também localizado na região Sul, sofreu o mesmo problema e ficou vazio durante o final de semana.

Os únicos visitantes eram estudantes de arquitetura que procuram as casas para fazer pesquisas e trabalhos.

“Geralmente recebemos visitas de estudantes e pessoas que passam na rua e se interessam, até mesmo alguém que esteja no hospital aqui do lado (Santa Cruz) e precise espairecer. O problema desse final de semana foi a falta de divulgação. As visitas estão abaixo da média. Ainda mais para uma programação especial.”, disse funcionária que não quis se identificar.

O evento contava com somente um educador e nem mesmo em seu horário de almoço havia alguém para substitui-lo. Isso também atrapalhou o bom andamento do evento, pois nesse meio tempo a recepção ficou fechada e a casa, sem orientação para os visitantes, que contavam apenas com seguranças para obter informações.

A sinalização também é precária, não há placas para indicar a recepção ou banheiros.

“Sentimos falta de um guia, a casa é um pouco mal-iluminada também, mesmo durante o dia. Mas a exposição está muito boa, tem bastante informação. O maior problema é a falta de um guia que possa nos orientar para uma visita mais interessante”, diz a estudante de arquitetura, Michelle de Paiva, 20.

A exposição permanente contém placas com textos explicativos da história da Casa e informações dos ambientes, além de um bosque projetado por Mina Klabin, esposa de Gregori Warchavchik.

Durante a semana, explicaram os funcionários, há mais guias para orientar o público e as visitas, que embora direcionadas para adultos, podem ser adaptadas para crianças. Para grupos grandes, acima de 20 pessoas, é necessário prévio agendamento.

Mas, fica a pergunta: se a programação oficial previa a visita temática, por que não havia monitores e funcionamento a pleno vapor? Vale destacar que o roteiro da Virada falava em quatro horários diferentes para realização dos debates em cada uma das casas históricas do Museu da Cidade.

A Secretaria Municipal de Cultura foi procurada pela reportagem do jornal SP Zona Sul para se manifestar sobre a inexistência de monitores durante o evento e sobre o furo na programação. Também apontamos as críticas feitas pelos estudantes, quanto às falhas na sinalização das casas. Mas, até o fechamento desta edição, não houve explicações…

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