Jornal São Paulo Zona Sul

Carolina Maria de Jesus, a catadora que se tornou escritora

Na atualidade, a mineira Carolina Maria de Jesus é considerada uma das principais escritoras brasileiras.

A história de resistência dessa autora de diários, romances e poesias ganha destaque novamente com uma nova mini série brasileira Segunda Chamada, exibida pela Rede Globo. No drama exibido pela tevê, Carolina Maria de Jesus dá nome a uma escola da periferia, onde diversas trajetórias de esforço se cruzam. Os professores desse colégio fictício ensinam aos seus alunos a trajetória real da autora negra brasileira que viveu em favelas paulistanas até ter seu talento descoberto em 1958 pelo repórter Audálio Dantas. Carolina faleceu em 1977.

Na infância, a autora real só estudou por dois anos em colégio mineiro. Foi lavradora, auxiliar de cozinha, empregada doméstica, até se mudar para São Paulo em 1937.

Catadora de papel e ferro velho, Carolina relatava seu cotidiano para criar os três filhos em 35 diários, todos escritos em cadernos com folhas em brancos que encontrava “no lixo”. Os livros também resgatados no trabalho como catadora ela lia para os filhos, enquanto sonhava em publicar suas memórias.

Até a casa em que a família vivia, na antiga Favela do Canindé, às margens do Rio Tietê, era um barraco construído com madeira, latas, pedaços de telha e outros materiais que Carolina encontrava na rua.

Em 1958, o jornalista Audálio Dantas trabalhava em reportagem na região do Canindé e conhece a autora, seus escritos e a transforma em personagem de suas matérias.

Foi a partir daí que os cadernos de Carolina se transformaram em um livro: Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960), que era inspirado em frase de Carolina: “A favela é o quarto de despejo da cidade”.

Antes de morrer, em 1977, Carolina ainda escreveu outros três livros.

Central Mecanizada

Hoje reconhecida por seu talento e por sua trajetória, a escritora não apenas inspira obras ficcionais como a mini série da Rede Globo.

Ela é homenageada com o nome da Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus, na Avenida Miguel Yunes, em Santo Amaro. Construída pela concessionária Ecourbis (responsável pela coleta domiciliar nas zonas Sul e Leste) em um terreno de 4,8 mil m2, tem capacidade de processamento de 250 toneladas/dia.

O investimento no maquinário e obra foi de R$ 33 milhões. A construção foi concluída em apenas seis meses e já passa a funcionar imediatamente. O processamento dos resíduos inicia-se com uma tecnologia que rasga os sacos. Em seguida, o material é encaminhado para um equipamento chamado Trommel, que faz a separação por dimensão por meio de um mecanismo semelhante a uma peneira. Ao longo do processamento, a Central Mecanizada tem capacidade de separar 13 tipos diferentes de resíduos. Todo o trajeto dos materiais ocorre por mais de 800 metros de esteiras automatizadas.

Há somente uma etapa de separação manual, que também funciona como um controle de qualidade, ao fim do processo. O produto final é compactado em fardos e fica armazenado em um galpão de 700 metros quadrados. Mesmo mecanizada, a central conta com o trabalho de uma cooperativa de catadores.

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