Jornal São Paulo Zona Sul

Busca pela praticidade e higiene gera lixo

Sachês com porções pequenas de catchup, sal, azeite, açúcar; copinhos de plástico para tomar um gole de água; uma minúscula e não reciclável cápsula para café e mexedores de plástico que, depois de poucos segundos em uso, vão para o lixo; produtos de higiene embalados um a um. Em busca da praticidade e, em alguns casos, da higiene, a indústria moderna gera muita embalagem… e lixo.

A preocupação com a excessiva geração de lixo tem provocado algumas mudanças de comportamento e até de legislação. A cidade de São Paulo está em processo de proibir o canudo de plástico, que começa a ser substituído por outros de papel ou material biodegradável.

Na Câmara Municipal, os vereadores querem dar o exemplo eliminando o uso de copos plásticos (veja também matéria abaixo) e solicitando aos funcionários e visitantes que levem canecas reutilizáveis.
A coleta seletiva em toda a cidade é outra forma de evitar que tanta embalagem e material descartável acabe fazendo parte do volume diário de 20 mil toneladas de resíduos (lixo residencial, restos de feiras, podas de árvores, entulho, etc.). Só de resíduos domiciliares, são coletadas cerca de 12 mil toneladas por dia.

Nas zonas sul e leste da cidade, o serviço é prestado pela concessionária Ecourbis, que também faz a coleta de lixo domiciliar comum. Para saber em que dias e horário tanto a seletiva quanto a regular acontecem na rua onde mora, acesse https://ecourbis.com.br/coleta/index.html.

A granel

O mundo do consumo nem sempre foi assim, com tantos itens de uso único e imediato, descartáveis. E nem o plástico tinha tanta presença como na atualidade. Embora o material tenha sido desenvolvido há mais de cem anos, foi só nas últimas décadas que ficou tão popular. A situação dentro das residências brasileiras comprova isso, não apenas com relação ao plástico mas a qualquer outra embalagem descartável.

“Na infância, lembro que minha mãe ia ao armazém com vasilha própria, de metal, para buscar leite”, conta Walkyria Alice, pedagoga de 65 anos, hoje aposentada.

Não era só o leite que dispensava embalagens pequenas e descartáveis. Arroz, feijão, fubá, macarrão, tudo era comprado a granel, também fornecidos em vasilhas levadas pelos clientes ou, no máximo, em sacos de papelão.

Em uma casa com nove filhos, como aquela em que vivia Walkyria, desperdício sempre foi palavra proibida. “Nada era jogado fora. A comida era feita na medida ou transformada em novos alimentos”, conta ela, que levou esse aprendizado para a vida.

Hoje, ela vive com um filho e um neto em uma casa no Campo Limpo, Zona Sul paulistana. E segue evitando jogar qualquer porção de comida fora. “Vou sempre ao sacolão e compro pequenas quantidades, porque senão estraga”, conta, observando que cada legume, fruta ou sobra de comida jogados no lixo são como notas e moedas que deixam de ir para um “cofrinho”…

Freezer

Outra atitude que ela adota para evitar a geração de lixo é planejar o cardápio.
Para evitar compras em excesso de produtos perecíveis, ela pensa antecipadamente no que vai cozinhar nos dias seguintes à visita ao sacolão. “Se vou fazer uma carne com legumes, penso na quantidade exata para fazer aquele prato”, garante.

Ela recorre a alguns legumes pré-cozidos e congelados também como forma de evitar o desperdício de comida. “Brócolis, por exemplo, eu compro congelado, já”.
Além de congelar algumas sobras de comida, ela recorre à criatividade para evitar que a comida vá parar no lixo. “Sobras de arroz podem virar um arroz de forno, bolinhos de arroz, suflê”, sugere.

Excesso de Plástico

Walkyria teve dois filhos – hoje na faixa dos 40 anos. Lembra-se de outros hábitos do passado que em poucas décadas foram completamente transformados.

“Fraldas descartáveis eram um luxo, algo caríssimo. Lavávamos as fraldas de pano e as calças plásticas eram usadas até o fim”, relembra.

Nas festinhas infantis, não existiam os descartáveis de plástico. “Copos e pratinhos de bolo eram de papelão. E os garfinhos, lembram-se? Eram de madeira, como os palitos de sorvete. Hoje até os palitos de sorvete são feitos de plástico”, aponta.

A pedagoga até hoje ainda conta com copos de vidro que chegaram à sua casa como embalagem de requeijão. “Agora é muito difícil encontrar, todas as embalagens são de plástico e, quando encontramos alguma ainda de vidro, é mais caro”, observa.

De qualquer forma, Walkyria se preocupa em separar todo o plástico, enxaguar e encaminhar para a reciclagem. “Aqui a coleta seletiva passa uma vez por semana. Separo sempre, plástico, latinhas, papel e vidro”.

As embalagens de vidro, conta, ela tenta reaproveitar. Potes de geleia, por exemplo, viram ótimas opções para armazenar sobras de molho, guardar temperos etc.

Natureza

Walkyria Alice nasceu e morou sempre na capital paulista. Na infância, vivia na zona leste, onde se lembra de brincar na rua, colher frutas no pé em árvores pela vizinhança. “Era tudo muito mais tranquilo”, diz.

Na vida profissional, sempre se preocupou em transmitir não só o respeito e amor à natureza para seus alunos, em 35 anos de atuação como professora de Educação Infantil., mas também em ensinar na prática o que representa a natureza.

“Na escola, plantávamos flores em vasos, para que os alunos vissem brotar. Também tínhamos horta e colhíamos as verduras, transformadas em salada para os próprios alunos”, relembra. “Muitas vezes,, as crianças nem conheciam aqueles produtos”, conta.
Atualmente, ela que mora em casa térrea, mantém o amor pela natureza em seu quintal, cheio de plantas e que conta até com uma mangueira. “Não consigo mais colher as frutas, porque os pássaros comem antes. Em compensação tenho a visita de maritacas, pica-paus e outras aves”, conclui.

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