Benê Mascarenhas é jornalista e acredita que jornais de bairro têm um papel fundamental: o de colaborar para que a comunidade de cada região da cidade entenda quais são as competências de cada órgão público – seja estadual ou municipal – e também que percebam quais são suas próprias responsabilidades.

“As pessoas reclamam que há entulho em uma calçada, mas já se perguntaram quem jogou aquele material ali? A única coisa que a Prefeitura pode fazer é recolher  o material e fiscalizar para coibir este descarte irregular, mas o cidadão precisa entender que tudo isso leva tempo, tem um custo”, diz ele, concluindo que esse custo, que acaba sendo bancado por qualquer cidadão paulsitano, seria evitado se o entulho houvesse sido depositado no lugar correto. “Temos três ecopontos na região, onde as pessoas podem depositar o entulho gratuitamente. Mas não é raro encontrar o material irregularmente descartado a menos de um quilômetro de um ecoponto.

A mesma lógica vale para as carcaças e carros abandonados em vários pontos da região e que geram muita reclamação. Benê explica que há todo um processo jurídico, para avaliar a procedência do veículo, comunicar o proprietário que será recolhido, encaminhar para um pátio e então iniciar outro processo burocrático para leiloar aquela carcaça. “E se o proprietário mudar de um lado para calçada para outro, o processo se inicia todo novamente”, conta.

Assim como Fátima Marques, do Jabaquara, Benê aceitou convite do jornal São Paulo Zona Sul não só para conversar na redação, mas também para abrir um canal de comunicação constante com a comunidade local.

Ele acredita que dessa forma as pessoas terão a oportunidade de aprender mais sobre o funcionamento da máquina e ampliar a noção de cidadania.

Benê conta que outra queixa constante que chega à Prefeitura Regional de Vila Mariana é relacionada aos bares e restaurantes locais. “Em toda cidade do mundo existem bares com mesas na calçada e esse é um hábito urbano que é agradável e positivo, faz com que o cidadão possa aproveitar, curtir sua cidade. Mas o comerciante precisa seguir as regras”, pondera.

Benê lembra que os três distritos da Vila Mariana tem muitos idosos, instituições de atendimento a pessoas com deficiências, hospitais… E isso gera grande circulação de pedestres com mobilidade reduzida.

“Muitas vezes, o bar tem autorização para nove mesas e instala 20, 30 delas. É preciso que o comerciante se conscientize e siga as regras”. O prefeito regional conta que tem feito diversas ações de fiscalização para garantir que estas e outras regras sejam respeitadas. O mesmo vale para ambulantes e camelôs, garante.

Por outro lado, Benê tem estabelecido importantes parcerias com empresas, inclusive bares e restaurantes, que estão se dispondo a fazer a manutenção de praças e áreas verdes na região.

Largo Ana Rosa

Uma das reclamações mais frequentes recebida pelo jornal São Paulo Zona Sul, com relação à Vila Mariana, é sobre o Largo Ana Rosa.  Ali, o número de pessoas vivendo na rua parece estar constantemente aumentando e a vizinhança reclama da sujeira e da insegurança.

Outro endereço com problema similar fica nos baixos do viaduto Onze de Junho, habitado especialmente por carroceiros e ponto em que famílias carentes se unem para pedir doações.

“A gente desenvolve um trabalho conjunto com assistentes sociais e com apoio da Guarda Civil e da PM. Os moradores são avisados das ações de zeladoria nesses pontos e então recolhem seus pertencer.  Enquanto nossas equipes limpam a área, eles ficam nas redondezas, esperando o trabalho terminar para retornar. É por isso que muitas vezes a população vizinha tem a sensação de que nada é feito. Mas ninguém pode obrigar essas pessoas a sairem de lá”, diz.

Por fim, Benê ressalta que é fundamental a população registrar pelo telefone 156 ou por aplicativo de celular suas queixas na Prefeitura. “Eu mesmo faço isso diariamente”, conclui o prefeito regional, mostrando em seu celular uma lista de pedidos feitos, inclusive com fotos, de problemas que encontra pela cidade. “É fundamental para os prefeitos”.

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