Em tempos de censura a museus e manifestações artísticas, uma exposição vem reforçar a importância de valorizar a arte, a liberdade de expresão e também a resistência a tentativas de opressão. Nesse sábado, 25, às 17h, acontece a abertura da exposição Arte Degenerada, no Museu Lasar Segall, na Vila Mariana

O desafio, tanto do Museu Lasar quanto de seu parceiro nessa empreitada, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo, é o de contribuir para uma reflexão crítica sobre a perseguição à arte moderna no Brasil, com embasamento histórico.

A mostra foi idealizada ainda no início do ano de 2015. Mas, de acordo com as instituições, diante dos episódios recentes de censura à arte, intolerância à diversidade e acusações infundadas a artistas, curadores e museus, essa exposição ganha uma inesperada atualidade e marca o posicionamento das duas instituições a favor da liberdade de pensamento e expressão.

A mostra também se inspira em fatos históricos e vai buscar resgatar outros momentos de perseguição à arte moderna.  No dia 19 de Julho de 1937, o governo alemão, liderado por Adolf Hitler, inaugurou, na cidade de Munique, uma grande exposição de arte moderna com cerca de 650 obras confiscadas dos principais museus públicos do país. O título dado à exposição foi Arte Degenerada (Entartete Kunst) e o seu objetivo era apresentar exemplos de manifestações artísticas condenadas pelo regime nazista. Entre os 112 artistas que tiveram obras exibidas naquela ocasião estavam Marc Chagall, Wassily Kandinsky, Paul Klee, Piet Mondrian e Lasar Segall. A mostra Arte Degenerada teve inúmeros desdobramentos no Brasil e serviu de orientação para a perseguição a artistas modernos que atuavam no país durante o período da Segunda Guerra Mundial.

A trajetória de Lasar Segall é considerada aqui como exemplar porque o artista teve cerca de 49 obras confiscadas pelo regime nazista, integrou a exposição Arte Degenerada, em 1937, e, além de tudo, sofreu ataques, por meio da imprensa brasileira, que o acusava de produzir obras de características degeneradas e de ser um agente de desagregação da cultura local. Assim, o título da exposição – A “arte degenerada” de Lasar Segall – refere-se ao fato de que a obra do artista foi considerada degenerada, não só na Alemanha, como também no Brasil.

Os dois segmentos que compõem esta exposição tomam a trajetória de Lasar Segall como fio condutor. No primeiro são apresentadas obras do artista que estiveram entre aquelas confiscadas pela ação dos nazistas, além da documentação sobre a exposição de Munique. Já o segundo é dedicado às manifestações antifascistas que se realizaram no Brasil na década de 1940

A exposição pode ser vista diariamente das 11h às 19h (exceto terças), no Museu Lasar Segall, à Rua Berta, 111 – Vila Mariana. Telefone: 2159-0400. Grátis.

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