Quase toda semana, tem morador se queixando ao São Paulo Zona Sul sobre o “descaso” do poder público com relação ao Largo Ana Rosa, ao lado da estação do metrô. Apontam para a ocupação por barracas de pessoas em situação de rua, para o excesso de lixo e “bagulhos”, ou seja, objetos normalmente caracterizados como inservíveis.

Em visita à sede do jornal São Paulo Zona Sul no final do ano passado, o prefeito regional de Vila Mariana, Benê Mascarenhas, já havia explicado que não se trata de descaso – ele garante que a situação é oposta. “Fazemos limpeza lá constantemente. Antes de a equipe chegar ao local, no noite anterior, avisamos às pessoas da ocupação para que recolham seus pertences porque tudo que estiver na praça abandonado será removido”, disse, esclarecendo que não se podem tirar objetos, especialmente cobertores, roupas, documentos e instrumentos de trabalho (como carrinhos de reciclagem) de quem está nas ruas.

A Prefeitura Regional pode, entretanto, remover qualquer objeto que caracterize “estabelecimento permanente em local público, principalmente quando impedirem livre circulação de pedestres e veículos, tais como camas, sofás e barracas montadas ou outros bens duráveis que não se caracterizem como de uso pessoal”.

Assim, as equipes chegam, fazem a remoção dos objetos deixados, há varrição, limpeza da área. Enquanto isso, entretanto, muitos dos moradores de rua apenas perambulam no entorno, vários deles carregando seus pertences em carrinhos. “Depois que a ação é concluída, muitos voltam ainda no mesmo dia”, constatava o prefeito regional ao abordar o problema.

Pessoas que vivem pelas ruas não podem ser obrigadas a buscar Centros Temporários de Acolhimento ou Albergues. Assistentes sociais fazem abordagens constantes, oferecendo serviços de saúde, tratamento ou apenas acolhimento, mas a maioria recusa, especialmente quando não é inverno.

A situação não se limita ao Largo Ana Rosa. Ainda na área sob responsabilidade da Prefeitura Regional de Vila Mariana, há pessoas, grupos e famílias também no canteiro central da Rua Domingos de Moraes, na Rua Coronel Lisboa, nos baixos do viaduto Onze de Junho, no viaduto Bandeirantes, na Praça Rodrigues de Abreu, no Paraíso.

Vários desses pontos receberam atenção da Prefeitura Regional de Vila Mariana na úlltima semana,  com operações de limpeza apoiadas pela Guarda Civil Metropolitana e antecedidas por equipes de assistência social.

Do Largo Ana Rosa, foram removidos lonas, carrinhos, pedaços de madeira e toda sorte de objetos.

Houve também ações em outros pontos como canteiros da Avenida Dante Pazzanese, Av. Dante Pazzanese; Av. Moreira Guimarães X Al. Imarés; Rua Paulo Francis;  e Praça Soichiro Honda.

A Prefeitura Regional tem sugerido, ainda, que moradores do bairro sugiram às pessoas em situação de rua para que busquem o apoio do Centro Temporário de Acolhimento inaugurado há pouco tempo na Avenida José Maria Whitaker, 2000 – Mirandópolis.

Ressalta ainda que a Guarda Civil Metropolitana faz rondas regulares mas não pode escolher um ponto determinado para instalação de bases fixas, até porque apenas representariam a mudança de endereço ocupado. Além disso, da mesma forma, não pode impedir pessoas de optarem pela situação de rua.

A crise econômica agravou o cenário de ocupação de áreas públicas por pessoas e famílias inteiras na capital, especialmente nas áreas mais centrais, muitas delas em busca de donativos, outras simplesmente por falta de opção ou por desencanto.

As operações recorrentes têm surtido algum efeito, mas a pergunta que fica é: que medidas poderiam efetivamente solucionar o problema? Como garantir vida digna a todas essas famílias?

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