O programa SPTV, da Rede Globo, mostrou essa semana que a manutenção do Parque Modernista, na Vila Mariana, está precária. Mais do que isso, a casa sediada no Parque, que é tombada como patrimônio histórico por ser a primeira construção em estilo Modernista no país, datada de 1927, tem problemas estruturais e precisa de restauro.

A Casa Modernista e seu parque, que ocupam uma área de mais de 12 mil metros quadrados na Rua Santa Cruz, integram atualmente um conjunto de espaços culturais históricos da capital, subordinaados à Secretaria Municipal da Cultura: o Museu da Cidade. Mas, a Prefeitura teria informado à Rede Globo que em breve o imóvel vai voltar a ser administrado pelo Governo do Estado.

A área está sob responsabilidade da Prefeitura desde março de 2008, ou seja, há dez anos. Nesse período, além de obras emergenciais, foram desenvolvidos projetos de restauro, mas que nunca saíram do papel. A intenção também era desenvolver uma programação de atividades culturais mais frequente e intensa para o espaço.

O projeto de restauração foi desenvolvido há sete anos e contemplava não apenas a recuperação da casa principal, mas também das edículas – que eram chamada de “Casa de Bonecas” pela família Warchavchik, proprietária única do imóvel até sua desapropriação e tombamento, em 1984.

Além disso, a proposta de recuperação do Parque Modernista contemplava também a implantação de espaços de convivência no parque, com acessibilidade e criação de um espaço de referência para o estudo do modernismo em São Paulo.

Conselho Gestor

A realidade da Casa e da área verde, entretanto, está distante da proposta.

Este ano, quando foram realizadas eleições para os Conselhos dos Parques existentes na cidade de São Paulo, não houve sequer interessados em número suficiente no caso do Parque Modernista e a eleição foi suspensa. Falta empenho e real interesse da vizinhança em recuperar e manter o parque como espaço vivo e vibrante para a comunidade?

Histórico

A casa Modernista foi projetada em 1927 e construída em 1928, já 80 anos. Foi a primeira obra arquitetônica do país seguindo conceitos modernistas, assinada pelo arquiteto e urbanista russo Gregori Warchavchik. Ele moraria ali com sua esposa, a paisagista Mirna Klabin, que foi a responsável pelo desenho dos jardins que hoje compõem o parque.

Mina era irmã de Jenny Klabin Segall, esposa de Lasar Segall. Nessa época, a Vila Mariana era um reduto cultural dos modernistas na cidade. Sediou encontros de artistas da época, saraus, festas.

Na década de 1980, os herdeiros de Gregori pretendiam vender o imóvel e em seu lugar seriam construídas torres de apartamento.

A comunidade do entorno se mobilizou e o protesto ganhou a imprensa – com pioneirismo do jornal São Paulo Zona Sul. Uma associação – Pró Parque Modernista foi criada na época e reforçou a luta contra a destruição do patrimônio. E foi assim que já no ano seguinte ao início das manifestações populares, em 1984, o Condephaat considerou o conjunto Casa/Jardins como patrimônio histórico.

A partir daí, se desenvolveria um embate judicial entre os proprietários do imóvel e o Governo do Estado, já que o negócio da venda havia sido inviabilizado. Só 10 anos depois o processo seria concluído, com a indenização à família. A casa, entretanto, ficou por muitos anos abandonada e foi se deteriorando, até que sua transferência à Prefeitura se concretizou.

A verdade, entretanto, é que o imóvel nunca teve o uso como espaço cultural que a comunidade sonhava…

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