Jornal São Paulo Zona Sul

Nesse fim de ano, com que valores vamos presentear?

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Estudos internacionais indicam que, no futuro, pode não haver água ou alimentos suficientes para alimentar a humanidade, por conta do mau uso e falta de preservação dos recursos naturais no planeta. Também devem aumentar muito as mortes por poluição do ar, por conta do excesso de emissão de gases na atmosfera.

O cenário do planeta pode ser dominado por florestas devastadas, oceanos, praias e rios poluídos. Sem falar que é essencial haver uma preocupação com a destinação adequada dos resíduos que geramos, com valorização da reciclagem e destinação correta e adequada de cada item que não usamos mais, que sai de nossas casas – das embalagens aos objetos quebrados.

Quem se preocupa com a própria família, com a humanidade, precisa transmitir valores que vão garantir um futuro saudável e em harmonia com o planeta.

Além de evitar desperdício e geração de resíduos em casa, no escritório, no condomínio e no bairro, é preciso difundir noções coletivas de educação ambiental.

Cultivar o amor à natureza está em atitudes simples e que podem aproximar os membros da família e valorizar práticas de cidadania como o compartilhamento, o consumo consciente, a alimentação balanceada e saudável, a valorização da limpeza – em casa e nas ruas.

Aproveitando a proximidade dos encontros familiares de fim de ano, seguem cinco dicas para compartilhar em família e que podem inclusive contribuir com a economia e com a organização doméstica.

Venda, troca e doação

Em especial na época de fortes datas comerciais, como a recente Black Friday ou as festas de Natal que se aproximam, o consumo parece inevitável.

Mas, para evitar excessos, adote uma atitude que pode mudar sua relação com o consumo: a cada peça comprada, desfaça-se de outra. É possível trocar com amigos ou em feiras de troca, doar para entidades assistenciais ou vender pela internet, em brechós e por classificados. Se a peça já não está em condições de uso, garanta sua destinação correta por meio de serviços prestados pela Prefeitura paulistana como o cata bagulho (para materiais inservíveis, por exemplo) ou ecoponto (sobras de obras).

Itens eletrônicos que não podem mais ser recuperados podem ser devolvidos – informe-se com o fabricante.

Para materiais recicláveis, como brinquedos de plástico e enfeites metálicos quebrados, por exemplo, é possível encaminhar junto com os demais itens para a coleta seletiva, serviço prestado pela concessionária Ecourbis Ambiental nas zonas sul e Leste da Capital. Para conferir o horário em que a rua onde mora é atendida, consulte www.ecourbis.com.br/ecoleta.aspx.

Festas

As festas de fim de ano representam momento de união, amor e solidariedade. Que tal promover encontros que também ensinem como respeitar o meio ambiente?

Na tradicional festa de confraternização ou mesmo nas festas de Natal e Reveillon, a troca de presentes pode ter o desafio de contribuir para uma instituição. Assim, combine com os participantes e, na hora da entrega dos presentes, sugira ao seu amigo secreto ou familiar uma entidade para a qual possa doar um item usado, igual àquele que está sendo entregue.

Por exemplo: se seu presente é um livro, indique alguma instituição que aceita livros usados para que a pessoa que recebeu o artigo novo possa entregar um item antigo de seu acervo, que esteja sem uso na estante.

Sugira também que as embalagens de presentes da festa sejam todas separadas em um único saco e encaminhadas para a coleta seletiva.

Evite o uso de copos, pratos e talheres descartáveis e promova ações coletivas: todos levam alimentos para a festa, todos saem com sobras para consumir nos dias seguintes, todos contribuem para a limpeza do ambiente.

Garanta, inclusive, a participação das crianças nas atividades.

Posse responsável

 

Com a proximidade das férias e festas de fim de ano, dois fenômenos opostos costumam ocorrer.

Muitas famílias decidem comprar ou adotar animais. A atitude é positiva e pode ensinar muitos valores de preservação e cuidados para pessoas de todas as idades, crianças especialmente. Cada integrante da família precisa entender que animais são seres vivos que sentem frio, fome, precisam de atenção e cuidados.

Há custos com rações, consultas veterinárias, vacinas… E ainda uma demanda por passeios rotineiros com coleta e destinação correta das fezes, limpeza do ambiente ocupado, banhos e tosa.

Por outro lado, é também nessa época do ano que se registram abandonos de animais por pessoas que querem ou precisam viajar e não têm como levá-los. Vale ressaltar que o abandono de animais é crime previsto em lei.

Além dos muros

É importante que a família toda se envolve com a questão da economia doméstica: economizar água, energia, gás, evitar desperdício de alimentos, praticar o consumo consciente e a reciclagem.  Mas, também é essencial compreender que a questão ambiental só se resolve com atitudes que extrapolam os muros de casa.

Artigos perecíveis e não perecíveis que consumimos demandam muita água em seu processo produtivo.  Os setores que consomem mais água na produção de cada item são: agropecuária, têxtil, mineração e siderurgia. Assim,de acordo com a ONG WaterFootprint, cada aparelho celular que compramos consome quase 13 mil litros de água em sua montagem, aproximadamente. Uma calça jeans consome até 11 mil litros de água e um quilo de carne de boi outros 15 mil litros. 

Limpeza Urbana

Também para além de nossos muros, está a cidade. Não jogar lixo na rua nas festas de Reveillon, coletar as fezes de animais, preservar patrimônios públicos garantem uma cidade não só mais bonita e limpa, mas também menos suscetível à proliferação de insetos, garantindo menos doenças para a população.

Se fizer alguma obra ou pequena reforma em casa, ou cuidar das plantas,  entulho gerado e as sobras de jardinagem devem ser encaminhados aos Ecopontos ou por meio de empresas de caçambas registradas na Prefeitura. Serviços clandestinos podem resultar no despejo irregular desse material, o que também é crime ambiental, sujeito a multa de até R$ 15 mil.

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