Há ruas com nomes de flores – Camélias, Hortências, Rosas… Há ruas com nomes de Santos – Santo Irineu, São Borja… Há ruas com nomes indígenas – Apetupás, Orissanga, Ceci. E há também vias públicas que levam nomes curiosos e de origens bem diversas: Il Sogno di Anarello ou Borboletas Psicodélicas são apenas dois exemplos, todos na Zona Sul de São Paulo.

Mas, existem também inúmeros exemplos de nomes de logradouros públicos masculinos, homenageando inclusive pessoas pouco conhecidas ou com pouca história. Não se sabe mais sequer quem foram os homenageados em ruas, avenidas, viadutos…

Uma pesquisa realizada pelo Insituto Pro Score mostrou que 84% das ruas e logradouros públicos que homenageiam pessoas levam nomes de homens. Isto fez com que o jornal O Estado de S.Paulo e a agência FCB criassem uma campanha e convidassem a população a sugerir nomes de mulheres para serem homenageadas da mesma forma.

Chamada #somosmaisque16%, a campanha foi lançada em 25 de janeiro, aniversário da cidade, e o site que recebe as indicações permanece no ar.

Uma lista de 300 nomes já foi levada à Câmara Municipal, no dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. A mais votada pelo público, no site, foi a atriz e comediante Dercy Gonçalves, com mais de 1 milhão de votos seguida pela artista plástica Tomie Ohtake, que tem cerca da metade.

O site – 16porcento.com.br – ainda está no ar e tanto as indicações como a votação permanecem ativas.

A ideia principal, na verdade, é conscientizar, alertar para o machismo que interfere até mesmo em coisas cotidianas como a prática de homenagear pessoas “importantes” e reduzir a importância das mulheres, fazendo com que ocupem menos espaços no imaginário e na história paulistana.

O site traz também algumas curiosidades, como mostrar que a capital presta homenagem a doutores com 1170 ruas com seus nomes e apenas 11 homenageando doutoras.

A pesquisa que originou a campanha ainda mostrou que as homenagens às mulheres se dão em logradouros mais afastados da região central e menos relevantes para a cidade. Há homens aparecem em vias principais e de acesso, como Avenida Roberto Marinho e Túnel Ayrton Senna. Carmen Miranda, dá nome a uma pequena rua no Tatuapé, na Zona Leste.

Durante a entrega do projeto na Câmara Municipal, os vereadores se comprometeram a dar mais atenção às homenagens prestadas. São eles que escolhem os nomes de vias e logradouros públicos em geral, mas é bom lembrar que a lei proíbe a mudança de nomes de ruas – as homenageadas deverão estar em novas vias ou em ruas que tenham nomes ligados à ditadura: uma lei recente permite a alteração  nestes casos.

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