Jornal São Paulo Zona Sul

Horta Social é escola para pessoas em situação de rua

Ideias simples em geral são as mais impactantes e eficientes em se tratando de mudanças sociais. Talvez essa seja uma boa definição para o projeto Horta Social Urbana/Cidadão Sustentável, que foi apresentado aos paulistanos essa semana.

Em uma área ociosa junto ao São Paulo Expo & Exhibitions Center, no Jabaquara, foi criada uma horta-escola, em que os alunos são pessoas em situação de rua.

“A ideia do projeto é promover a formação sócio-pedagógica de pessoas em situação de rua acolhidas, pautadas na agroecologia, Permacultura, Empreendedorismo e Psicologia Humanista, focado na produção de alimentos saudáveis sem uso de insumos químicos e agrotóxicos, promovendo a reintegração social e geração de renda”, explica o morador da Saúde e integrante de projetos de hortas comunitárias, Sérgio Shigeeda. “Show de bola o que uma Horta Urbana pode fazer: unir iniciativa privada com o poder público, gerar rendas por meio de um programa social e inclusivo, colocar nos pratos uma alimentação saudável e ainda melhorar o Planeta”, avaliou.

O projeto é iniciativa da Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade (ARCAH), em parceria com a Prefeitura de São Paulo.

A horta no São Paulo Expo é a primeira iniciativa do programa e ganhou o nome de a Horta Escola Lucy Montoro, realizada sem custos para o município. É uma homenagem a Lucy Montoro, que presidiu o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo de1983 a 1987, período do mandato de seu marido, André Franco Montoro, como governador de São Paulo. Uma das metas de Lucy Montoro era o desenvolvimento de hortas sociais para a capacitação profissional e geração de empregos para pessoas carentes.

“Começar é difícil e recomeçar é mais difícil ainda. A gente sabe que a grande porta de saída para as pessoas que estão em situação de rua é o mercado de trabalho onde a pessoa consegue uma oportunidade de não depender mais de políticas assistencialistas”, destacou o prefeito Bruno Covas.

O projeto Horta Social Urbana/Cidadão Sustentável, que tem apoio de instituições como Fundação Banco do Brasil, Itaú, Eletropaulo e Grupo Pão de Açúcar, promove o desenvolvimento de pessoas em situação de rua, atendidas nos Centros Temporários de Acolhimento (CTAs) e Centros de Acolhida por meio da formação em agricultura urbana, focada na produção de alimentos orgânicos dentro da cidade.

Os módulos aplicados na horta escola contemplam capacitações nas técnicas da permacultura (ocupações humanas sustentáveis, unindo práticas antigas aos conhecimentos mais avançados sobre a área) e da agroecologia (atividade que prioriza a utilização dos recursos naturais).

Também fazem parte da grade, aulas de empreendedorismo e educação financeira. A escolha dos alunos é feita a partir de processo seletivo realizado nos CTAs e Centros de Acolhida.

Para o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará, trata-se de um projeto inovador e único.

“O Horta Social Urbana/Cidadão Sustentável transforma a vida de pessoas acolhidas das ruas, que já foram consideradas como problemas para a sociedade, em excelentes provedores de alimentos saudáveis e orgânicos, dentro da própria cidade”, afirma.

A ação também contempla a criação de novas hortas sociais em terrenos baldios, telhados de condomínios comerciais e residenciais, além de outros espaços da cidade, ampliando a oferta de alimentos livres de agrotóxicos dentro do município e promovendo geração de renda para a população acolhida.

Edson Luiz, 56 anos, ficou sabendo do curso no serviço de acolhimento em que vive na região da Barra Funda. “Vim para cá pensando que era mais uma oficina, um cursinho. Cheguei aqui e foi totalmente diferente do que imaginei. Isso é uma oportunidade para a gente sair dessa situação. Cuidar da terra é interessante demais”, disse.

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