Texto: Ully de Andrade Nambu

Em 2011, o histórico prédio  que já foi sede da fábrica de pordutos óticos DF Vasconcelos, na Avenida Indianópolis, foi vendida por R$ 22 milhões. O imóvel, de 1947 e que conta até com uma cúpula para observação astronômica, havia sido comprado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo – o Creci/SP. Em 2013, um projeto de reforma com proposta de preservação dos espaços chegou a ser apresentado, com promessas de detalhamento posterior e acompanhamento das obras…

Mas, quase sete anos após a aquisição do imóvel, o Creci ainda não tem sequer previsão de início das obras, muito menos de transformar o endereço em sua sede própria administrativa.

Procurado, o Creci informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que a demora na apresentação pública do Retrofit se justifica pelas indefinições na Lei de  Zoneamento na capital. Em especial, o problema está na permissão de ser construído ali um auditório.

Vale destacar que a sede fica no coração de um bairro  de uso estritamente residencial, o Planalto Paulista, onde não pode haver comércio ou prédios. Uma sede administrativa até pode funcionar ali, com algumas limitações.

O Creci, que planejava inclusive recuperar a cúpula com observatório e abrir o espaço para visitação da comunidade, uso por estudantes e envolvimento com o entorno, agora admite até a possibilidade de desistir do projeto e  vender o imóvel, como já vêm apontando alguns rumores que circulam pela região.

De acordo com a assessoria de comunicação, o CRECISP poderá “eventualmente vender o prédio, caso essa seja a alternativa que melhor atenda as necessidades dos corretores de SP e da sociedade”.

O Conselho nega que o imóvel que ocupa um quarteirão inteiro na esquina com a Alameda dos Guainumbis, esteja abandonado.

“O prédio não está abandonado. Está em uso efetivo pelo CRECISP desde a sua aquisição. Só não temos lá instaladas unidades administrativas”, diz a nota da entidade, depois de questionamento pelo jornal São Paulo Zona Sul. acrescentando que cerca de 80 funcionários diariamente circulam por aquela unidade.

Efetivamente, foram realizados especialmente leilões de automóveis usados pertencentes à entidade no endereço da Avenida Indianópolis.

O Creci também tem cuidado da segurança e manutenção da área. “Dispomos de vigia 24 horas, monitoramento com câmeras de vídeo com imagens gravadas à distância proporcional regulamentada. O prédio contou com desratização, dedetização, carpinagem contante e acompanhamento para evitar focos do mosquito da dengue”.

Outra ação desenvolvida na área do imóvel foi a iluminação de led na Alameda Irerê, paralela à Av. Indianópolis, que teria sido proporcionada pelo Creci para, segundo a assessoria “ tentar afastar a prostituição do local”.

Por fim, o Conselho de Corretores de Imóveis paulista, com atuação em todo o estado, admite que não há um cronograma previsto ou definição dos planos futuros.

“Dependemos das alterações do Plano Diretor e da lei que interfere no uso de solo naquela região, que se encontram em tramitação na câmara.”, conclui a nota.

DF Vasconcelos

A antiga fábrica de equipamentos óticos foi construída em 1947, quando a Indianópolis era ainda uma estrada de terra batida em região completamente deserta.

Ali eram feitos equipamentos de precisão como microscópios, telescópios e outros produtos óticos. Só na segunda metade do século XX foram mais de 50 mil microscópios cirúrgicos. Em 2010, a empresa mudou-se para a cidade de Valença e passou a manter no prédio da Indianópolis apenas alguns vigias, que foram definitivamente removidos de lá em setembro de 2011, quando a venda foi concretizada.

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