Fechamento do hospital Santa Marina surpreende pacientes no Jabaquara

26 de agosto de 2011

Sem avisar aos beneficiários do Plano de Saúde próprio, hospital deixou aos poucos de atender

Março de 2009 – é anunciada a venda do Hospital Santa Marina a um empresário que nunca havia atuado no ramo de saúde ou hospitalar. Silvio Miglio, entretanto, garantia vislumbrar possibilidade de crescimento, com oferta de planos direcionados à emergente classe média, e garantia que sanaria as finanças e dívidas que o tradicional hospital do Jabaquara acumulava.

Abril de 2011 – funcionários se queixam de estar há mais de seis meses (alguns deles ainda mais tempo) e denunciam o fechamento de alas, falhas na coleta de lixo hospitalar, inexistência de material para atendimento ao público… Começam também a surgir denúncias de mau atendimento por pacientes, na internet. Mas, o vice-presidente do hospital, Fábio Turnes, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, garante que os problemas foram apenas pontuais, causados por um bloqueio judicial de verbas, e explica que o fechamento de setores e demissões seguiam a nova política operacional da direção. Entretanto, prometia, não existia possibilidade de fechamento do hospital.

Agosto de 2011 – leitores procuram o jornal São Paulo Zona Sul desesperados. Alguns contam que vêm pagando o plano de saúde atrelado ao hospital – o Santa Marina Saúde – sem saber que o hospital já estava de portas fechadas. “Fui até lá para ser atendida e não imaginava que encontraria portas fechadas”, diz uma beneficiária que prefere não ter seu nome revelado.

Outro leitor, ex-funcionário do hospital, conta que a maternidade vinha funcionando, mas relata que até este atendimento foi interrompido. “O hospital foi parando aos poucos. Não recebíamos nada, nem explicações”, diz ele, indignado.

Basta fazer uma busca na internet com os termos “falência Hospital Santa Marina” para ver que os leitores contam a verdade. Há várias publicações oficiais de editais de fornecedores pedindo a falência por inadimplência. Há dois blogs de funcionários denunciando não só a falta de pagamentos como também a precariedade de condições de trabalho. No site “Reclame Aqui”, que intermedia queixas de consumidores junto a empresas, a última resposta oferecida pela rede que controlava o Santa Marina data de julho de 2010 e garantia que tudo se resolveria, que os problemas estavam equacionados.

Uma equipe do jornal SP Zona Sul esteve no Santa Marina esta semana. Não há placas indicando que esteja fechado, mas também não há movimento de pacientes ou ambulâncias. A porta está semicerrada. “Vocês queriam o quê? Que colocássemos uma placa dizendo que fechamos? Um tapume?”, questionou o único diretor da empresa que atendeu o jornal por telefone e se identificou apenas como Wilson. Ele confirmou que o hospital já está fechado há seis meses – vale destacar que no final de abril, havia campanha na tv vendendo planos de saúde do Santa Marina e indicando a “segurança e ótima e completa infraestrutura da maternidade”.

O diretor ainda se limitou a dizer que tanto o hospital quanto a carteira de associados do Santa Marina estão sendo negociados, o que deve ser concretizado até setembro…

Procon orienta beneficiários a buscar ANS

 

“O Procon nunca orienta para que se deixe de pagar o plano de saúde, até porque isso significaria um rompimento ou desistência do contrato”, diz Samantha Pavão, especialista em direitos do consumidor do Procon de São Paulo. Ela orienta os beneficiários do Plano de Saúde Santa Marina a buscar a solução junto à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), pelo telefone 0800701956 ou pelo site www.ans.gov.br. “De qualquer forma, tanto os pacientes do hospital quanto aqueles que aderiram ao Plano de Saúde podem também fazer denúncias ao Procon”, diz ela. Para quem tem mais urgência de garantir a cobertura do atendimento médico,a dica é buscar apoio imediato no poder judiciário, através de uma ação.

A especialista ainda ensina que os beneficiários do plano de saúde podem buscar outra operadora e pedir a migração. “Em julho teve início a portabilidade, e mesmo mudando de operadora o beneficiário vai manter seus direitos. Por isso é importante o pagamento estar em dia, pois esta é uma das regras a ser obedecida para garantir a troca de plano de saúde”, explica.

Pavão afirma ainda que cada caso será analisado individualmente e, por isso, é importante buscar orientação junto aos órgãos dos consumidores. O Procon atende pelo telefone 151 ou em postos do Poupatempo, com agendamento pelo telefone 0800 772 36 33.

Justiça do Trabalho determinou pagamento

 

A Justiça do Trabalho de São Paulo acatou pedido do Ministério Público do Trabalho, em 2 de agosto, em ação civil pública ajuizada pela procuradora do Trabalho Maria José Sawaya de Castro Pereira do Vale, em face do Hospital e Maternidade Santa Marina, SM Hospital e Maternidade, Santa Marina Saúde, Delicatesse Comercial de Alimentos – EPP Silvio Manoel Lapa Miglio e Angelo Badia Neto.

Com a decisão, os Réus deverão pagar no prazo legal, os salários e demais direitos trabalhistas aos empregados do Hospital e Maternidade Santa Marina.

De acordo com o tribunal, como as empresas fazem parte do mesmo grupo econômico, as mesmas são solidariamente responsáveis pelo cumprimento da obrigação de pagar os salários aos seus funcionários até o quinto dia útil, bem como o décimo terceiro salário nas datas estipuladas pela lei, inclusive parcelas vencidas. Além disso, deverão efetuar o pagamento do FGTS devido.

Caso as cláusulas não sejam cumpridas, será aplicada uma multa diária de R$ 1.000 por empregado, valor esse que será revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT.

Também deverá ser paga uma indenização por dano moral coletivo de 100 mil reais.

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2 respostas para “Fechamento do hospital Santa Marina surpreende pacientes no Jabaquara”

  1. adalgisa disse:

    Eu também estou aguardando pagamento judicialmente, espero receber assim vcs também.

  2. Boa noite e uma ótima noticia a venda do hospital santa marina porque minha esposa trabalhou 15 anos foi mandada embora e não recebeu seus direitos ela e as colegas de trabalho sofreram bastante com o fechamento do hospital

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