Uma movimentação excessiva de caminhões da AES Eletropaulo, concessionária que distribui energia elétrica em São Paulo, tem deixado moradores do Planalto Paulista desconfiados. Ou ao menos curiosos. Estariam estas equipes de funcionários preparando a rede no bairro para absorver uma demanda maior por conta dos planos de construir ali um Shopping Center?

O Grupo Jereissati, responsável pelo shopping Iguatemi e diversos outros empreendimentos do gênero espalhados por todo o país, está interessado na construção de um novo centro comercial, de quatro andares, no terreno de 46 mil quadrados atualmente ocupado pela Cruz Vermelha de São Paulo, na Avenida Moreira Guimarães.  Procurada, a AES Eletropaulo se limitou a informar  que está investindo em modernização e melhoria no fornecimento de energia no bairro Planalto Paulista.

Em nota, a concessionária explicou que a região está recebendo redes compactas, chamadas Spacer Cable, um tipo de cabeamento mais resistente às interferências como ventos fortes, galhos e quedas de árvores.

Justificou, ainda, as recentes e constantes interrupções de energia em váris ruas. Diz que, por se tratar de um serviço complexo, é necessária uma quantidade maior de equipes, com desligamentos programados, avisados com antecedência pela distribuidora aos clientes.

Histórico

Embora o terreno esteja inserido no Planalto Paulista, que é um bairro estritamente residencial, pela legislação, o zoneamento específico daquele terreno permite o empreendimento. Entretanto, o termo de doação do terreno à Cruz Vermelha, que já tem um século, determinava que ali só deveria funcionar um hospital.

Integrantes da Sociedade Amigos do Planalto Paulista passaram a se manifestar contrários à proposta e a reivindicar que se construísse ali um parque, o que demandaria desapropriação da área pela Prefeitura.

A Cruz Vermelha, por sua vez, alega que não tem condições financeiras e nem necessidade prática de manter o imenso terreno. Com a verba proveniente da concessão da área para o shopping, poderia manter o hospital existente em pequena parela do terreno e até ampliar sua capacidade de atendimento atual.  O Conselho Municipal do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) negou pedido de tombamento da área e arquivou o processo que o requisitava.

Entretanto, a Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público está solicitando à Justiça que a demolição dos prédios seja impedida e que a Prefeitura não autorize nenhuma obra no local, questionando inclusive o processo de tombamento, que não teria feito vistorias na área.

No ano passado, o então vereador Gilberto Natalini havia solicitado ao ex-prefeito Fernando Haddad que transformasse a área em um parque. Agora, Natalini é secretário do Verde e do Meio Ambiente, mas alega que “não tem o que ser feito”. Em entrevista ao São Paulo Zona Sul, o secretário disse que a obra na cruz vermelha já foi licenciada, com Termo de Compromisso Ambiental pronto e aprovado, desde janeiro de 2016. “Portanto, foi na gestão anterior. Agora só podemos acompanhar para garantir os termos acordados”,

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