Jornal São Paulo Zona Sul

Consegue reduzir seu lixo a (quase) zero?

Nos primeiros sete meses desse ano, a população total do planeta consumiu o equivalente à capacidade de regeneração que a natureza teria para um ano. A estimativa é calculada desde 1970 pela Global Footprint Network, uma organização não governamental de pesquisa de recursos naturais e mudanças climáticas.

Isso significa que, na média mundial, cada um de nós estará consumindo além da capacidade que o planeta tem de se regenerar. É possível mudar essa realidade? Economizar água, energia e respeitar a natureza, consumindo recursos com cautela, são atitudes indispensáveis e a geração de resíduos sólidos pode ensinar muito sobre os excessos da humanidade.

Em 2014, o Núcleo de Educação Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina implantou um projeto piloto de “Lixo Zero”. Escolas foram desafiadas a, durante uma semana, não gerar nada de lixo. A experiência trouxe ensinamentos que, em última instância, apontam que reduzir resíduos sólidos representa dar mais oportunidade para a natureza se regenerar.

Que tal tentar seguir as dicas e, durante uma semana, não produzir nenhum – ou quase nenhum – resíduo? O desafio pode, além de tudo, resultar em economia doméstica, com redução de custos na vida da família.

Claro que haverá os rejeitos, como papel higiênico, bitucas de cigarro e outros. Mas, que tal reduzi-los também, evitando excessos?

Descartáveis

Uma das primeiras medidas adotadas pelo projeto catarinense- e que hoje é adotada por várias escolas municipais que participam do projeto – indicam a necessidade de mudar a cultura dos descartáveis.

Em especial em espaços de uso coletivo como escolas, escritórios e comércio em geral, os copos descartáveis, mexedores de café, canudos representam um volume imenso.

Ainda que fossem encaminhados todos à reciclagem, dificilmente haveria capacidade para absorver toda essa geração. Vale também destacar que o plástico é derivado do petróleo: o plástico, que também está em sacolinhas, sacos de lixo e embalagens. Sem falar que a reciclagem também usa energia e água.

O ponto de partida foi interromper o uso de copinhos de água, que acabou desencadeando uma série de ações similares positivas.

Em casa, evite descartáveis e tente reaproveitar embalagens para guardar outros produtos, transforme caixinhas em brinquedos para crianças, jornais e revistas já lidos em saquinhos para lixeiras.

No escritório, use canecas e colheres laváveis.

Alimentos naturais

Reduzir o uso de descartáveis desperta inclusive o interesse por diminuir também o uso de alimentos industrializados e embalados desnecessariamente.

Para reduzir a quantidade de lixo produzida em sua casa, evite as bandejas de isopor, as caixinhas com mamão, invista nos produtos a granel e na compra com saquinhos de papel ou reutilizáveis.

Para tentar implantar o projeto “Lixo Zero” em sua casa, além de usar mais alimentos naturais como frutas, verduras, e legumes, reaproveite cascas, sementes e talos em receitas e evite o desperdício. Cozinhe apenas o que será consumido no dia ou transforme sobras em novos pratos.

Sobras de alimentos sem tempero ou de folhagens e galhos dos serviços de jardinagem podem ser levados a hortas comunitárias, onde são transformados em adubos.

Ações coletivas

Em casa, converse com a família. Na escola ou no escritório, com os colegas. É preciso engajar todos os envolvidos em um projeto.

Na ação piloto desenvolvida pela Universidade Santa Catarina, o pontapé inicial foi uma gincana entre os alunos. Que tal convidar as pessoas que dividem os mesmos espaços para acompanhar a geração de lixo, ajudar a separar os recicláveis, verificar a quantidade de alimentos que está sendo jogada fora ou desperdiçada em cada prato ao final de uma refeição…

É fundamental também ensinar a todos a data em que a coleta regular e a coleta seletiva passam pelo local. Para conferir a data em que o serviço é prestado, visite: www.ecourbis.combr/ecoleta.aspx.

Convide todos, ainda, a sugerir novas formas de reduzir a quantidade de lixo gerada no ambiente, trazer receitas criativas, contribuir nas tarefas de limpeza e culinária. A divisão de responsabilidades e alternância de tarefas conscientiza e promove novos pontos de vista entre todos os colaboradores ou integrantes da família.

Pegada ecológica

Outra maneira de mudar a atitude pessoal ou coletiva é conferir qual sua “pegada ecológica”, ou seja, qual a pressão que cada um de nós faz no meio ambiente, consumindo, gerando lixo, gastando água e energia.

O cálculo pode ser feito gratuita e livremente no site pegadaecologica.org.br, mantido com os critérios da Global Footprint Network (GFN).

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